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Política

Pela primeira vez Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula em MG

Levantamento da Quaest mostra o senador com 40% e o presidente com 37% em um eventual segundo turno mineiro; diferença está dentro da margem de erro no chamado estado pêndulo.

Jaime Fernando Reis Martins - Pela primeira vez Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula em MG
— Foto: Prefeitura de Pará de Minas / Wikimedia Commons (Public domain)

Uma pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8) mostrou, pela primeira vez, o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT) em Minas Gerais numa eventual disputa de segundo turno pela Presidência da República em 2026. Segundo o levantamento, Flávio aparece com 40% das intenções de voto, contra 37% de Lula. Como a diferença de três pontos percentuais está dentro da margem de erro da pesquisa, os dois candidatos seguem, do ponto de vista estatístico, tecnicamente empatados.

Ainda assim, o resultado tem peso simbólico relevante dentro do calendário eleitoral: é a primeira vez que o instituto registra o candidato de oposição superando numericamente o presidente em um dos estados mais decisivos do país, o que reacende o debate sobre o real fôlego eleitoral de Lula fora de suas bases históricas mais consolidadas.

Por que Minas Gerais é chamado de "estado pêndulo"

A Quaest classifica Minas Gerais como o "estado pêndulo brasileiro", uma definição que carrega peso histórico considerável: desde 1989, ano da primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, todos os presidentes eleitos no Brasil venceram a disputa em território mineiro. A força simbólica do estado se soma ao seu peso numérico — Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, o que faz de qualquer oscilação nas intenções de voto local um indicador observado de perto por estrategistas de campanha em todo o Brasil.

Nas eleições de 2022, a disputa em Minas Gerais foi especialmente apertada: Lula obteve 50,20% dos votos válidos no estado, contra 49,80% do então presidente Jair Bolsonaro (PL) — uma margem mínima que refletiu, em escala estadual, o resultado nacional da eleição, na qual o petista foi eleito com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% obtidos pelo candidato do PL.

Homens dão a Flávio a maior vantagem

A pesquisa Quaest também detalhou a intenção de voto por diferentes perfis do eleitorado mineiro, revelando padrões que ajudam a explicar a nova dianteira numérica de Flávio Bolsonaro no estado. Entre o eleitorado masculino, a vantagem do senador é expressiva: 44% dos homens dizem votar nele contra 37% que apoiam Lula, uma diferença de sete pontos percentuais, acima da margem de erro de quatro pontos calculada para esse recorte específico.

Já entre as mulheres, o cenário se inverte, ainda que por margem mais estreita: Lula aparece com 37% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro — uma diferença de dois pontos, dentro da margem de erro de três pontos percentuais estabelecida para o recorte feminino. O resultado reforça um padrão observado em pesquisas eleitorais brasileiras nos últimos ciclos, no qual o eleitorado feminino tende a demonstrar maior resistência a candidaturas identificadas com o bolsonarismo em comparação ao eleitorado masculino.

Escolaridade e renda ampliam a distância

O recorte por escolaridade também expõe diferenças relevantes no comportamento do eleitorado mineiro. Entre entrevistados com ensino fundamental, Lula lidera com folga: 45% contra 32% de Flávio Bolsonaro. Já entre eleitores com ensino superior completo, a vantagem se inverte de forma ainda mais acentuada em favor do senador, que soma 50% das intenções de voto contra apenas 30% do presidente — uma diferença de vinte pontos percentuais, a maior registrada entre os recortes divulgados pelo instituto.

O padrão se repete, com intensidade semelhante, no recorte por renda: entre eleitores que ganham até dois salários mínimos, Lula tem ampla vantagem, com 49% das intenções contra 27% de Flávio. Entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, a situação se inverte de forma acentuada, com o senador somando 48% contra 30% do presidente. Juntos, os dados de escolaridade e renda desenham um retrato já conhecido da polarização política brasileira, na qual a base eleitoral de Lula se concentra mais fortemente entre os segmentos de menor renda e escolaridade, enquanto Flávio Bolsonaro consolida vantagem entre os estratos mais escolarizados e de maior poder aquisitivo.

Minas Gerais é o estado pêndulo brasileiro: desde 1989, todos os presidentes eleitos no Brasil venceram no estado.

Classificação da Quaest sobre o comportamento eleitoral mineiro

Faixa etária: idosos seguem com Lula

Por faixa etária, o levantamento mostra Flávio Bolsonaro à frente entre eleitores de 16 a 34 anos (40% a 34%) e entre eleitores de 35 a 59 anos (41% a 36%). Entre os eleitores com 60 anos ou mais, no entanto, o quadro se inverte, com Lula liderando por uma margem mais confortável: 44% contra 36% do senador. O padrão geracional, presente em pesquisas eleitorais brasileiras desde pelo menos a eleição de 2022, mantém o eleitorado mais velho como um dos redutos mais consistentes do petista, mesmo em cenários nos quais ele perde terreno em outros recortes demográficos.

  • Flávio Bolsonaro (PL): 40% das intenções de voto no 2º turno em Minas Gerais.
  • Lula (PT): 37% das intenções de voto no mesmo cenário.
  • A diferença de três pontos está dentro da margem de erro da pesquisa.
  • Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo.

Recorte por cor e identificação política

O levantamento da Quaest também trouxe recortes por cor ou raça e por identificação partidária dos entrevistados, dimensões que ajudam a compor um retrato mais completo da polarização eleitoral em Minas Gerais. Entre eleitores que se declaram brancos, a vantagem de Flávio Bolsonaro tende a ser mais consistente, refletindo um padrão observado em pesquisas nacionais desde 2018, no qual o voto conservador encontra maior adesão proporcional entre esse grupo em comparação a eleitores pretos e pardos, historicamente mais alinhados a candidaturas do campo petista.

Já no recorte por identificação política, o resultado tende a ser menos surpreendente: eleitores que já se declaram simpatizantes do PL concentram esmagadora preferência por Flávio Bolsonaro, enquanto simpatizantes do PT fazem o movimento inverso em relação a Lula. O dado mais relevante para analistas, nesse tipo de recorte, costuma estar entre os eleitores sem identificação partidária clara — o chamado eleitorado independente —, segmento que tende a definir o resultado final em cenários de acirramento como o atual.

Como institutos de pesquisa constroem o cenário de segundo turno

Pesquisas de segundo turno simulado, como a realizada pela Quaest em Minas Gerais, são construídas a partir de perguntas hipotéticas apresentadas diretamente aos entrevistados, testando confrontos específicos entre pares de candidatos antes mesmo de o primeiro turno da eleição ocorrer. Esse tipo de levantamento é útil para mapear tendências de polarização e identificar forças e fraquezas regionais de cada postulante, mas carrega limitações metodológicas importantes: a essa altura do calendário eleitoral, o cenário político nacional ainda pode mudar substancialmente, com a definição de vices, alianças partidárias, coligações estaduais e o próprio desempenho dos candidatos ao longo da campanha oficial, que só começa a ganhar contornos mais definidos nos meses finais antes da votação.

Institutos como a Quaest costumam reforçar, em suas próprias notas metodológicas, que pesquisas de cenário simulado a mais de um ano da eleição devem ser lidas como fotografias de humor político momentâneo, e não como projeções definitivas de resultado. Ainda assim, a cobertura desse tipo de levantamento tende a ganhar grande repercussão política, especialmente quando confirma ou reforça uma tendência já sinalizada por pesquisas anteriores em outros estados considerados igualmente decisivos para o resultado nacional.

Um indicador, não uma previsão

Para , é importante contextualizar corretamente o significado de uma pesquisa como essa a mais de um ano da eleição: o resultado retrata a fotografia do momento atual do eleitorado mineiro, não uma previsão do resultado final da disputa presidencial de 2026. Segundo ele, oscilações desse tipo são naturais em períodos pré-eleitorais mais distantes da data efetiva da votação, especialmente num cenário político marcado por fatores ainda em aberto, como a consolidação das candidaturas de oposição e o desempenho da economia nos próximos meses.

Ainda assim, o simbolismo de Minas Gerais como "estado pêndulo" — historicamente alinhado ao vencedor da corrida presidencial desde a redemocratização — garante que qualquer sinalização de mudança de tendência no estado seja tratada com atenção redobrada por estrategistas políticos de todos os campos, tanto governistas quanto opositores, à medida que a corrida eleitoral de 2026 avança em direção à sua fase mais decisiva.

Fontes e referências

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