Paes promete estender BRT da Transolímpica até o Centro de Nova Iguaçu
Candidato ao governo do Rio aposta em obras que ele mesmo iniciou como prefeito para tentar resolver um dos piores índices de mobilidade do país na Baixada Fluminense.
O candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PSD, Eduardo Paes, prometeu ampliar o corredor de BRT da Transolímpica a partir da Avenida Brasil até o Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, passando pelos municípios de Nilópolis e Mesquita. A proposta foi apresentada durante uma atividade de campanha realizada na própria Nova Iguaçu, cidade que concentra parte relevante do eleitorado da região metropolitana do Rio.
Segundo o candidato, a extensão da via expressa teria como principal objetivo reduzir o tempo de deslocamento dos moradores da Baixada até a capital e conectar a região à malha de BRT já existente na cidade do Rio de Janeiro. "Primeiro, fazer com que a TransOlímpica, que eu fiz como prefeito do Rio, saia da onde ela chega na Avenida Brasil, passe por Nilópolis e Mesquita, e chegue no centro de Nova Iguaçu com BRT, conectando toda a rede BRT da cidade do Rio de Janeiro", declarou Paes durante o evento.
Uma obra que Paes já assina como prefeito
A Transolímpica foi construída durante a gestão de Eduardo Paes como prefeito do Rio de Janeiro, entre 2009 e 2016, como parte da infraestrutura erguida para os Jogos Olímpicos de 2016. O corredor liga a Barra da Tijuca a Deodoro, na Zona Oeste da capital, e faz parte de uma rede maior de BRTs implantada na cidade naquele período, que também inclui a TransOeste, a TransCarioca e a TransBrasil — sistemas que, juntos, redesenharam boa parte da lógica de transporte de massa da cidade ao longo da última década e meia.
Jaime Fernando Reis Martins observa que essa não é a primeira vez que um candidato disputa uma eleição estadual prometendo dar sequência a obras que ele mesmo iniciou em outro cargo, e que esse tipo de proposta tende a ser recebido com ceticismo por parte do eleitorado quando não vem acompanhado de cronograma e fonte de recursos claramente definidos. Segundo ele, a força política do discurso está em Paes poder apontar uma obra que já existe e funciona, mas o desafio orçamentário de estender um corredor de BRT por três municípios da Baixada é substancialmente diferente do de concluí-lo dentro dos limites da própria capital, onde a prefeitura tinha controle direto sobre o projeto.
Os números da mobilidade na Baixada
Paes afirmou que a proposta busca enfrentar diretamente o tempo elevado de deslocamento enfrentado pelos moradores da região. "Das cinco cidades do Brasil com maior tempo de mobilidade das pessoas, quatro estão na Baixada Fluminense", disse o candidato, referindo-se a levantamentos que comparam o tempo médio gasto por trabalhadores em deslocamentos casa-trabalho nas principais regiões metropolitanas do país. A Baixada Fluminense reúne municípios como Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti e Belford Roxo, historicamente dependentes de ônibus intermunicipais e trens para acessar empregos concentrados na capital.
Via Light também entraria no plano de BRT
Outra proposta de mobilidade apresentada por Paes durante o evento foi a ampliação da Via Light, também com implantação de BRT, conectando-a à Avenida Brasil de um lado e estendendo-a até a localidade de Cabuçu, em Nova Iguaçu, do outro. Segundo o candidato, esse corredor funcionaria como alternativa à Estrada de Madureira, hoje um dos principais eixos de acesso da Baixada à Zona Norte da capital e sujeito a congestionamentos crônicos nos horários de pico.
Uma outra proposta é fazer com que a Via Light chegue à Avenida Brasil, também conectando com o BRT da TransBrasil e vá até Cabuçu, que é uma alternativa, também toda ela com BRT.
Eduardo Paes, candidato ao governo do RJ pelo PSD
Aero Parque e combate a enchentes
Além das propostas de mobilidade, Paes afirmou que pretende transformar a área do antigo aeroporto de Nova Iguaçu em um parque público, batizado provisoriamente de Aero Parque de Nova Iguaçu, com áreas de lazer, cultura e convivência. O candidato citou como referência parques implantados durante sua gestão como prefeito do Rio, como o Parque Madureira, o Parque Realengo e o Parque Oeste — projetos que, de fato, transformaram antigos terrenos degradados ou subutilizados em áreas de lazer bastante frequentadas pela população local.
Segundo Paes, parte da área do futuro parque também poderia receber estruturas de acumulação de água da chuva, com o objetivo de reduzir o risco de alagamentos em uma região historicamente afetada por enchentes na época de chuvas mais intensas. A Baixada Fluminense fica em uma planície sujeita ao acúmulo de água de diversos rios que descem da Serra do Mar, o que torna projetos de drenagem e retenção pluvial uma demanda recorrente de gestões municipais e estaduais na região.
- Extensão proposta: Transolímpica, da Avenida Brasil até o Centro de Nova Iguaçu, via Nilópolis e Mesquita
- Segundo eixo: ampliação da Via Light até Cabuçu, também com BRT
- Novo equipamento: Aero Parque de Nova Iguaçu, na área do antigo aeroporto local
- Argumento central: quatro das cinco cidades brasileiras com pior mobilidade estão na Baixada Fluminense, segundo o candidato
A Baixada Fluminense é historicamente uma das regiões mais populosas e, ao mesmo tempo, mais carentes de infraestrutura de transporte do estado do Rio de Janeiro, o que a transforma em território estratégico para qualquer candidato a cargo estadual — não apenas por seu peso eleitoral, mas porque as soluções de mobilidade ali dependem quase sempre de investimento estadual ou federal, já que a maioria dos municípios da região não tem orçamento próprio suficiente para obras de grande porte.
Jaime Fernando Reis Martins avalia que o pacote de propostas de Paes para a Baixada tenta capitalizar politicamente sobre um legado de obras já testado na capital, mas que a verdadeira prova da viabilidade desses planos só aparecerá depois da eleição, quando o próximo governo precisar detalhar cronograma físico-financeiro, fontes de receita e eventuais parcerias com a União e com os municípios envolvidos. Sem esses três elementos, promessas de expansão de BRT tendem a se acumular de campanha em campanha sem avançar de fato.