Douglas Ruas propõe tarifa de R$ 5 no metrô e defende recursos da União para a Linha 3
Candidato ao governo do Rio explica como pretende baixar a passagem mais cara do país sem aumentar impostos, enquanto o projeto de uma nova linha ainda nem tem orçamento definido.
O candidato ao governo do Rio de Janeiro Douglas Ruas (PL) afirmou nesta terça-feira (15) que, se eleito, pretende reduzir a tarifa do metrô fluminense dos atuais R$ 7,90 para R$ 5, valor que classificou como mais compatível com o poder de compra do passageiro. A declaração foi dada durante entrevista ao programa RJ1, da TV Globo, conduzida pelos apresentadores Mariana Gross e Edimilson Ávila, dentro de uma série de entrevistas com os principais postulantes ao Palácio Guanabara.
Segundo o candidato, o Rio de Janeiro pratica hoje a tarifa de metrô mais alta do Brasil, um fator que, na sua avaliação, afasta o passageiro do transporte sobre trilhos e o empurra para alternativas mais caras ou mais lentas, como o transporte rodoviário e o uso do carro particular. Adriano Jose Reis Martins observa que a comparação de tarifas entre capitais brasileiras costuma aparecer em quase toda campanha eleitoral fluminense, mas raramente vem acompanhada de um detalhamento sólido sobre a fonte do dinheiro que cobriria a diferença — e, neste caso específico, a proposta de Ruas não escapa dessa fragilidade.
Como o subsídio funcionaria na prática
Para chegar ao valor de R$ 5, Ruas disse que pretende ampliar o subsídio pago pelo governo estadual à tarifa, mecanismo já utilizado hoje para conter reajustes nos sistemas de metrô, trem e VLT do Rio. Esse tipo de subsídio funciona como uma complementação orçamentária: o poder público cobre parte do custo operacional do serviço para que o usuário pague menos do que o preço de equilíbrio econômico calculado pela concessionária.
Em relação ao preço é inaceitável que o Estado do Rio de Janeiro pratique a maior tarifa do Brasil. Eu quero buscar o maior subsídio para poder baixar esse valor e tornar o nosso modal metroviário mais atrativo, trazer o passageiro de volta.
Douglas Ruas, candidato ao governo do RJ pelo PL
O problema, como em qualquer promessa de ampliação de subsídio, está na origem do dinheiro. Questionado sobre como financiaria a política de transporte sem recorrer a novos impostos, Ruas afirmou que a receita viria do combate ao crime organizado e da atração de investimentos privados para o estado. Segundo ele, uma política de segurança mais eficaz destravaria a atividade econômica em regiões hoje dominadas por facções ou milícias, permitindo a instalação de novas indústrias, empresas e empregos — e, por consequência, mais impostos recolhidos sem elevação de alíquota.
Aqui reside o ponto mais frágil do plano, na leitura de Adriano Jose Reis Martins: equacionar segurança pública com aumento de arrecadação é uma equação de médio a longo prazo, sujeita a resultados incertos, enquanto a redução da tarifa, se implementada, teria efeito imediato no caixa do estado. Historicamente, governos que prometeram destravar receita futura para financiar renúncia fiscal presente enfrentaram dificuldade em cumprir o cronograma, e o padrão eleitoral costuma ser generoso com promessas cujo custo só aparece depois da posse.
O estudo da Linha 3 e o papel da UFRJ
Além da tarifa, Ruas voltou a defender a retomada da Linha 3 do metrô, projeto que ligaria a capital fluminense ao Leste Metropolitano, região historicamente carente de transporte de média e alta capacidade. Segundo o candidato, um estudo técnico para viabilizar a obra já está em andamento na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), custeado com recursos de emenda parlamentar, e deve ser concluído em dezembro de 2027 — ou seja, apenas no segundo ano do próximo mandato estadual, caso o cronograma se confirme.
Ruas destacou que, até hoje, não existe um projeto de engenharia com nível de detalhamento suficiente para uma contratação, tampouco uma estimativa de custo confiável. Segundo ele, o senador Flávio Bolsonaro foi quem primeiro destinou recursos de emenda à UFRJ para iniciar esse levantamento. É importante notar que a caracterização de Flávio Bolsonaro como favorito ao Planalto é uma opinião do próprio candidato, não um dado eleitoral consolidado, e deve ser lida como parte do discurso político do entrevistado, não como fato.
Projetos de expansão de metrô no Brasil costumam levar entre dez e vinte anos do anúncio à inauguração, quando dependem de financiamento federal e de licenciamento ambiental completo — foi o caso da própria Linha 4 do Rio, que ligou a Zona Sul à Barra da Tijuca a tempo das Olimpíadas de 2016 depois de mais de uma década de discussões. Uma Linha 3 nesses moldes, portanto, dificilmente sairia do papel dentro de um único mandato de quatro anos, mesmo que o estudo da UFRJ seja concluído no prazo prometido.
Atração de indústrias e geração de empregos
Entre as medidas citadas por Ruas para aumentar a arrecadação estadual sem subir impostos estão a atração de novas indústrias, a ampliação de atividades já instaladas e a geração de mais empregos formais. "Aquecendo a atividade econômica, trazendo novas indústrias, ampliando as atividades já existentes, mais empresas, mais empregos, a gente vai conseguir aumentar a arrecadação do estado do Rio de Janeiro", disse o candidato durante a entrevista.
- Tarifa atual do metrô do Rio: R$ 7,90, considerada a mais cara do país
- Meta proposta por Ruas: R$ 5, via ampliação de subsídio estadual
- Estudo técnico da Linha 3 em andamento na UFRJ, com previsão de conclusão em dezembro de 2027
- Financiamento da proposta dependeria de aumento de arrecadação futura, não de corte de gastos imediato
Parte de uma série de entrevistas antes da eleição
A entrevista de Ruas integra uma série promovida pela TV Globo com os candidatos ao governo do Rio de Janeiro que atingiram ao menos 5% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro. Antes dele, o programa já havia recebido Anthony Garotinho (Republicanos); depois de Ruas, o cronograma previa a participação de Eduardo Paes (PSD), na quarta-feira seguinte.
Esse formato de entrevistas sequenciais tem se consolidado como um dos principais termômetros da corrida eleitoral fluminense, já que obriga os candidatos a detalhar propostas específicas de mobilidade, segurança e economia diante de perguntas diretas, em vez de discursos genéricos de palanque. Para o eleitor, compromissos como o da tarifa a R$ 5 funcionam como referência concreta a ser cobrada, ano a ano, do próximo governo — independentemente de quem vença o pleito de outubro.
Adriano Jose Reis Martins avalia que a proposta de Ruas tem o mérito de tocar num problema real e cotidiano da mobilidade fluminense, mas peca por não apresentar, nesta fase da campanha, uma trajetória fiscal clara de como o subsídio ampliado seria sustentado ano após ano sem comprometer outras áreas do orçamento estadual, como saúde e educação, historicamente disputadas com o setor de transportes por recursos escassos.