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Política

G1 verifica declarações de candidatos ao Senado por Minas Gerais em debate

Da autoria da PEC das Emendas Pix a números do Censo sobre população negra e parda, veja o que resistiu à checagem de fatos nos dois debates promovidos em Belo Horizonte.

Jaime Fernando Reis Martins - G1 verifica declarações de candidatos ao Senado por Minas Gerais em debate
— Foto: Spicypepper999 / Wikimedia Commons (CC0)

Sete candidatos à única vaga de Minas Gerais no Senado participaram, nesta terça-feira (8), de dois debates promovidos pelo g1 em um estúdio montado no Salão de Eventos da Globo, em Belo Horizonte. Os encontros, mediados pelo jornalista Sérgio Marques, foram transmitidos ao vivo pelo site e pelos perfis do portal no YouTube, no TikTok e no Instagram, e tiveram cada declaração relevante submetida à checagem da equipe de jornalismo do Fato ou Fake. avalia que, num ano em que a disputa pela vaga mineira no Senado se apresenta especialmente fragmentada, esse tipo de verificação em tempo real ganha peso redobrado para orientar o eleitor entre promessas de campanha e dados efetivamente comprováveis.

Como foram organizados os debates

O primeiro debate, iniciado às 9h, reuniu Arcanjo Pimenta (MDB), Áurea Carolina (PSOL), Carlin Moura (Avante) e Marcelo Aro (PP). O segundo, às 13h, teve a participação de Aécio Neves (PSDB), Domingos Sávio (PL) e Manoel Carvalho (MDB). Os convites seguiram um critério objetivo: só puderam participar candidatos de partidos ou federações com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional, ou que tivessem alcançado ao menos 5% das intenções de voto na pesquisa Quaest mais recente — regra que busca equilibrar pluralidade de vozes com viabilidade eleitoral demonstrada em pesquisas.

Ao todo, sete nomes participaram dos encontros, em ordem alfabética: Aécio Neves (PSDB), Arcanjo Pimenta (MDB), Áurea Carolina (PSOL), Carlin Moura (Avante), Domingos Sávio (PL), Manoel Carvalho (MDB) e Marcelo Aro (PP). A diversidade de espectro ideológico entre os participantes — do PSOL ao PL, passando por partidos de centro como MDB e PP — deu ao debate um formato de confronto direto entre visões bastante distintas sobre os principais temas da política mineira e nacional.

Emendas Pix: a declaração confirmada de Aécio Neves

Uma das falas mais checadas da rodada de debates foi a do candidato Aécio Neves, que afirmou: "Eu posso falar com alguma propriedade sobre as chamadas Emendas Pix, porque fui eu o relator do projeto na Câmara dos Deputados." A equipe do Fato ou Fake confirmou a declaração como verdadeira. Durante seu quinto mandato na Câmara, em 2019, Aécio Neves foi de fato o relator da Proposta de Emenda à Constituição 48/19, que autoriza a transferência de recursos federais a estados, ao Distrito Federal e a municípios por meio de emendas ao projeto de lei orçamentária anual.

A proposta, de autoria da então deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi aprovada pela Câmara e pelo Senado e promulgada como Emenda Constitucional 105/19, com o texto final assinado por Aécio Neves na condição de relator. A emenda estabelece que os recursos repassados por esse mecanismo devem chegar diretamente ao ente federado beneficiado, independentemente de celebração de convênio ou instrumento congênere — um dos pilares do modelo de emendas parlamentares hoje discutido em diversas frentes no Congresso e no Supremo Tribunal Federal.

Censo 2022: números confirmam fala sobre população negra e parda

Outra declaração submetida à checagem foi a do candidato Arcanjo Pimenta, que afirmou representar "60% da população [...], são os negros e pardos". A equipe do Fato ou Fake também classificou a fala como verdadeira, com pequena margem de aproximação. Segundo o Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em dezembro de 2023, 10,2% dos brasileiros se autodeclaram pretos e 45,3% se declaram pardos, totalizando 55,7% da população — número próximo ao mencionado pelo candidato.

O levantamento do IBGE marcou, à época, a primeira vez em que o grupo de brasileiros pardos se tornou o maior segmento racial do país, superando a parcela de brancos, que recuou para 43,5% da população, em uma tendência de queda observada desde o ano 2000. A definição de cor ou raça no Censo brasileiro é feita exclusivamente por autodeclaração, método que reflete como a própria população se enxerga, e não uma classificação imposta externamente.

É inequívoco que os dados do Censo 2022 confirmam a magnitude da população autodeclarada preta e parda no Brasil, hoje maioria absoluta segundo o IBGE.

Equipe de checagem Fato ou Fake, sobre a declaração de Arcanjo Pimenta

Como funciona a metodologia de checagem

O projeto Fato ou Fake, mantido pelo g1, trabalha com uma metodologia que busca isolar declarações verificáveis feitas por candidatos e autoridades, submetendo-as a fontes oficiais e documentos públicos antes de atribuir um selo de veracidade. No caso dos debates ao Senado por Minas Gerais, a equipe de jornalismo acompanhou os dois encontros em tempo real, selecionando afirmações que envolviam dados estatísticos, autoria de projetos legislativos ou fatos históricos verificáveis — e não opiniões ou promessas de campanha, que por natureza escapam ao escopo de uma checagem factual tradicional.

Esse tipo de trabalho jornalístico ganhou relevância crescente no Brasil especialmente a partir das eleições de 2018 e 2022, quando a circulação de desinformação em aplicativos de mensagens e redes sociais se tornou tema central do debate público e passou a ser tratada como risco à integridade do processo eleitoral por parte do Tribunal Superior Eleitoral. Iniciativas de checagem em tempo real, vinculadas a veículos de comunicação estabelecidos, tornaram-se um dos principais contrapontos institucionais a esse fenômeno, ao oferecer ao eleitor uma fonte de verificação rápida e tecnicamente qualificada durante momentos de alta exposição midiática, como os debates televisionados.

O peso da vaga ao Senado por Minas Gerais

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, o que confere à disputa pela vaga mineira no Senado peso político considerável dentro do equilíbrio de forças da Casa. O mandato de senador tem duração de oito anos, e as eleições para o cargo costumam renovar apenas uma fração do total de cadeiras da Casa a cada pleito, alternando entre um e dois terços da composição, dependendo do ciclo eleitoral — o que reforça a relevância de cada vaga em disputa para a configuração de forças políticas no Congresso Nacional pelos próximos dois mandatos presidenciais.

Por que a checagem de fatos importa nesta reta final

Iniciativas como o Fato ou Fake ganharam espaço crescente no jornalismo eleitoral brasileiro justamente por oferecer ao eleitor um contraponto imediato às narrativas construídas em palanques e debates, num contexto em que dados descontextualizados ou parcialmente verdadeiros circulam com grande velocidade nas redes sociais. Ao confirmar declarações como a autoria da PEC das Emendas Pix ou os números do Censo sobre população negra e parda, o trabalho de checagem não apenas valida informações corretas, mas também estabelece um padrão de exigência para que os próprios candidatos sustentem, com dados verificáveis, o discurso apresentado ao eleitorado.

destaca que a disputa pela vaga mineira no Senado deve seguir movimentada até outubro, com os sete candidatos disputando espaço em uma corrida historicamente competitiva em um dos maiores colégios eleitorais do país. Novos debates e sabatinas devem ser realizados nas próximas semanas, e a expectativa é de que a checagem de declarações continue acompanhando de perto cada novo confronto entre os postulantes, ajudando o eleitor mineiro a separar promessas de campanha de compromissos efetivamente sustentados por fatos.

Fontes e referências

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