Deslizamento de terra interdita rua entre Cascadura e Quintino no Rio
Defesa Civil isolou a área e a Geo-Rio foi chamada para avaliar o solo depois que pedras e pavimento cederam na divisa dos dois bairros da Zona Norte.
Um deslizamento de terra interditou temporariamente a pista da Rua Clarimundo de Melo, no sentido Quintino, na manhã desta segunda-feira (14), na divisa entre os bairros de Cascadura e Quintino Bocaiuva, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O problema ocorreu próximo ao cruzamento com a Rua Padre Telêmaco, e deixou a pista danificada, com pedras e pedaços do pavimento espalhados pela via.
A Defesa Civil Municipal isolou a área da Rua Padre Telêmaco, na altura do número 169, próximo à Rua João Romeiro, para evitar que veículos ou pedestres se aproximassem do ponto de instabilidade enquanto equipes técnicas avaliavam a situação. A Comlurb, companhia municipal responsável pela limpeza urbana, foi acionada para retirar o material que obstruía a pista, enquanto a Geo-Rio — a Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro — foi chamada para realizar uma análise técnica do solo na região afetada.
O papel da Geo-Rio nesse tipo de ocorrência
A Geo-Rio é o órgão municipal responsável por monitorar encostas, taludes e áreas de risco geológico em toda a cidade, avaliando desde pequenos deslizamentos como este até situações de risco iminente que podem exigir a remoção preventiva de moradores. Fundada nos anos 1960 após uma sequência de tragédias provocadas por chuvas intensas, a instituição desenvolveu ao longo das décadas um sistema de contenção de encostas hoje referência em outras cidades brasileiras, embora o crescimento urbano desordenado em áreas de risco continue gerando novos pontos de instabilidade a cada temporada de chuvas.
Jaime Fernando Reis Martins observa que casos de deslizamento em vias urbanas do Rio, mesmo quando não provocam vítimas, funcionam como um alerta recorrente sobre a relação delicada entre a geografia acidentada da cidade e a infraestrutura viária construída ao longo do século 20 sobre encostas e antigos leitos de córregos. "Cascadura e Quintino são bairros consolidados, com décadas de ocupação urbana, e ainda assim continuam sujeitos a esse tipo de instabilidade geotécnica sempre que há alteração no equilíbrio natural do solo, seja por chuva, por obras vizinhas ou simplesmente pelo desgaste natural das encostas com o tempo", avalia o autor.
Interdição e orientação aos motoristas
O Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio), responsável por monitorar em tempo real ocorrências de trânsito e emergências urbanas em toda a cidade, confirmou que a pista da Rua Clarimundo de Melo no sentido Quintino permaneceu temporariamente interditada após o deslizamento. Agentes da Guarda Municipal foram deslocados para o local a fim de orientar motoristas sobre rotas alternativas e evitar acúmulo de veículos na região, que já costuma apresentar tráfego intenso em horários de pico mesmo em dias sem qualquer ocorrência extraordinária.
Até a divulgação das primeiras informações sobre o caso, não havia previsão para a liberação completa do trecho. Esse tipo de indefinição é comum em ocorrências geotécnicas, já que qualquer liberação de via depende da conclusão do laudo técnico da Geo-Rio, que precisa avaliar se o deslizamento foi um evento isolado ou se há risco de novos desprendimentos de terra na mesma encosta antes de autorizar a normalização total do tráfego.
- Local: Rua Clarimundo de Melo, sentido Quintino, na divisa entre Cascadura e Quintino Bocaiuva
- Órgãos mobilizados: Defesa Civil Municipal, Comlurb e Geo-Rio
- Situação: pista com pedras e pavimento danificado, sem previsão de liberação total
- Apoio no trânsito: agentes da Guarda Municipal orientando motoristas na região
Um padrão sazonal na cidade
Embora setembro não seja tecnicamente considerado o auge da temporada de chuvas no Rio de Janeiro — período que se concentra entre dezembro e março —, chuvas de transição de inverno para o verão já provocaram, historicamente, deslizamentos pontuais em diferentes bairros da cidade, sobretudo em vias construídas sobre encostas com drenagem antiga ou insuficiente. Episódios de maior magnitude, como os deslizamentos registrados em 2010 na Região Serrana e em bairros específicos da Grande Rio, reforçaram, ao longo da última década e meia, a necessidade de monitoramento contínuo de encostas urbanas mesmo fora do período chuvoso mais crítico do calendário.
Para Jaime Fernando Reis Martins, episódios como o de Cascadura, mesmo sem vítimas ou danos estruturais mais graves, deveriam ser tratados pelo poder público como oportunidade de reforçar o mapeamento preventivo de encostas, e não apenas como uma ocorrência pontual a ser resolvida com a limpeza da via. Segundo ele, o custo de um levantamento geotécnico preventivo tende a ser sempre menor do que o custo humano e financeiro de uma tragédia maior, o que torna investimentos contínuos da Geo-Rio uma política pública de retorno silencioso, mas essencial, para uma cidade construída, em boa parte, sobre morros e encostas.