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Política

Quaest no DF mostra como o voto para governador varia por perfil

O levantamento revela que a disputa pelo segundo lugar no Distrito Federal já não tem vencedor claro entre os candidatos do PSD e do PT.

Adriano Jose Reis Martins - Quaest no DF mostra como o voto para governador varia por perfil
— Foto: NASA Earth Observatory image created by Jesse Allen, using EO-1 ALI data provide / Wikimedia Commons (Public domain)

Uma pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8) traçou um retrato detalhado da disputa pelo governo do Distrito Federal, mostrando como a intenção de voto se distribui entre diferentes perfis do eleitorado — sexo, raça, idade, escolaridade, religião, renda e identificação política. O levantamento, encomendado pela Globo, confirma a atual governadora, Celina Leão (PP), na liderança em absolutamente todos os recortes analisados, mas revela uma disputa cada vez mais acirrada pela segunda posição.

No resultado geral da pesquisa estimulada, Celina Leão aparece com 35% das intenções de voto, ligeira alta em relação aos 34% do fim de agosto. Atrás dela, o cenário mudou de forma mais perceptível: Arruda (PSD), até então isolado na segunda colocação, caiu de 20% para 18%, enquanto Leandro Grass (PT) subiu de 13% para 17% — uma aproximação que, somada à margem de erro de três pontos, coloca os dois candidatos tecnicamente empatados pela vice-liderança da corrida.

Um eleitorado mais decidido

Um dos dados mais relevantes do levantamento diz respeito ao grau de convicção do eleitorado. Para 55% dos entrevistados, a escolha do candidato já é definitiva — um salto expressivo frente aos 47% registrados na pesquisa anterior. Os outros 45% ainda dizem que podem mudar de voto até o dia da eleição, marcada para 4 de outubro, ante 53% que se declaravam nessa condição na rodada de pesquisa anterior. O movimento indica uma reta final de campanha em que o espaço para reverter posições, embora ainda exista, tende a ficar mais estreito a cada semana.

Como o voto se distribui entre homens e mulheres

Entre as mulheres, com margem de erro de quatro pontos, Celina Leão registra 34% das intenções de voto, seguida por Leandro Grass, com 17%, e Arruda, com 16% — uma inversão sutil em relação ao recorte masculino. Entre os homens, também com margem de erro de quatro pontos, Celina Leão sobe para 36%, Arruda mantém a segunda posição com 19% e Grass aparece com 16%. A diferença de padrão entre os dois grupos sugere que a candidatura do PT tem conseguido crescer de forma mais consistente entre o eleitorado feminino do que entre o masculino no Distrito Federal, um fenômeno que campanhas costumam monitorar de perto para calibrar a comunicação de cada candidatura nas semanas finais.

Recorte por cor e raça

Entre eleitores que se autodeclaram brancos, com margem de erro de cinco pontos, Celina Leão dispara para 38% — sete pontos acima do índice fim de agosto, de 29% —, enquanto Arruda recua de 18% para 12% e Leandro Grass sobe de 17% para 20%, ultrapassando o candidato do PSD nesse recorte específico. O movimento indica que parte do eleitorado branco que antes se dividia entre a governadora e Arruda pode estar migrando diretamente para Celina Leão, ao mesmo tempo em que Grass consolida crescimento nesse mesmo grupo, uma combinação que penaliza principalmente a candidatura do PSD.

avalia que pesquisas segmentadas como essa, que cruzam intenção de voto com variáveis sociodemográficas, têm se tornado ferramenta cada vez mais central no planejamento de campanhas locais. "Não basta mais saber quem lidera a corrida no geral. As campanhas precisam entender exatamente em que grupo perdem ou ganham espaço, semana a semana, para direcionar recursos de forma cirúrgica nos últimos dias antes da eleição", explica.

Liderança em todos os recortes, mas com intensidades diferentes

Além da divisão por sexo e por cor e raça, a Quaest também detalhou o comportamento do eleitorado por faixa etária, nível de escolaridade, religião, faixa de renda e identificação político-partidária. Em todos esses recortes, sem exceção, Celina Leão aparece na primeira posição — o que reforça a força de sua candidatura como incumbente, historicamente favorecida pela visibilidade natural do cargo de governadora em exercício. Ainda assim, a intensidade dessa liderança varia consideravelmente conforme o grupo analisado, com faixas de eleitorado em que a distância para os concorrentes é ampla e outras em que a disputa se aproxima de um empate técnico de três vias.

Esse tipo de variação é comum em eleições majoritárias estaduais e distritais, nas quais o eleitorado tende a avaliar governos em exercício de forma bastante diferente a depender de quanto se sente diretamente beneficiado — ou prejudicado — pelas políticas públicas adotadas durante o mandato. Programas sociais, segurança pública e gestão da saúde costumam ser os temas mais citados por institutos de pesquisa como determinantes da avaliação de governos estaduais, e frequentemente explicam por que a aprovação de um governante varia tanto entre diferentes perfis de renda e escolaridade.

Um histórico de disputas que vão ao segundo turno

O Distrito Federal tem, nas últimas disputas ao governo local, um histórico recorrente de eleições decididas apenas na segunda rodada de votação, quando nenhum candidato consegue maioria absoluta dos votos válidos já na primeira etapa. Esse padrão tende a se repetir em 2026: com Celina Leão somando 35% no agregado geral da pesquisa, é matematicamente improvável que a governadora atinja o patamar necessário para vencer logo no primeiro turno, o que projeta uma disputa de outubro decidida efetivamente na etapa final, entre a atual mandatária e quem conseguir se firmar como segundo colocado nas próximas semanas.

Esse cenário eleva a relevância política da disputa hoje travada entre Arruda e Leandro Grass: mais do que uma corrida pela segunda posição isolada, o resultado dessa queda de braço deve definir com quem Celina Leão precisará disputar votos — e construir contrapontos de discurso — durante todo o período entre o primeiro e o segundo turno, quando o debate político tende a se concentrar quase exclusivamente nos dois candidatos remanescentes.

Ficha técnica do levantamento

  • 1.104 pessoas de 16 anos ou mais entrevistadas no Distrito Federal;
  • Entrevistas realizadas entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026;
  • Margem de erro de três pontos percentuais para o resultado geral, para mais ou para menos;
  • Nível de confiança de 95%;
  • Pesquisa registrada na Justiça Eleitoral sob os números BR-04442/2026 e DF-01987/2026.

Por que recortes sociodemográficos importam na análise eleitoral

Pesquisas eleitorais que cruzam intenção de voto com variáveis como renda, escolaridade e religião ajudam institutos e campanhas a identificar padrões de comportamento eleitoral que passam despercebidos em números agregados. Um candidato pode, por exemplo, manter posição estável no resultado geral enquanto perde terreno de forma acelerada em um grupo específico — sinal que costuma anteceder quedas mais amplas nas semanas seguintes, caso a tendência não seja revertida por ajustes de estratégia ou de discurso de campanha.

No caso do Distrito Federal, a disputa pela segunda posição entre Arruda e Leandro Grass ganha relevância adicional por conta do sistema de dois turnos usado nas eleições para governador: caso nenhum candidato atinja mais da metade dos votos válidos no primeiro turno — cenário provável, dado que Celina Leão soma 35% no agregado geral —, os dois primeiros colocados avançam para uma nova rodada de votação em outubro. Definir quem ocupará essa segunda vaga, portanto, é tão estratégico quanto a própria liderança isolada da atual governadora.

Nas próximas semanas, a expectativa entre analistas políticos locais é que tanto Arruda quanto Leandro Grass intensifiquem a exposição em debates e entrevistas, na tentativa de capitalizar o crescimento já demonstrado nesta pesquisa antes que o cenário se estabilize. Para Celina Leão, o desafio é distinto: consolidar a vantagem já construída sem cometer erros que abram espaço para uma reação tardia de qualquer um dos concorrentes diretos, especialmente diante de um eleitorado que, como mostram os números, ainda guarda uma fatia relevante de indecisos suficiente para alterar a configuração final da disputa em outubro.

Fontes e referências

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