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Futebol

Ex-companheira acusa jogador de futebol sub-20 do Palmeiras de agressão

Caso registrado na Delegacia da Mulher terminou em pedido de medidas protetivas e em uma nota na qual o atleta promete provar sua versão em juízo.

Jaime Fernando Reis Martins - Ex-companheira acusa jogador de futebol sub-20 do Palmeiras de agressão
— Foto: PattayaPatrol / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro apura uma denúncia de agressão feita por Marcelle Barbosa contra o ex-companheiro, o jogador de futebol Felipe Teresa, do time sub-20 do Palmeiras. A denúncia foi tornada pública por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual Marcelle acusa o atleta de violência doméstica. É importante deixar claro, desde o início deste relato, que se trata de uma acusação em fase de investigação policial, e não de um fato criminal já comprovado ou de uma condenação — o jogador nega a versão e diz que vai provar sua inocência na Justiça.

O caso foi registrado inicialmente na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, unidade especializada em receber denúncias de violência doméstica e de gênero. Depois do registro, o boletim foi encaminhado à 94ª DP, sediada em Piraí, no interior fluminense, que assumiu a continuidade da investigação. A polícia confirmou que a vítima passou por exame de corpo de delito e que a autoridade responsável pelo caso solicitou medidas protetivas de urgência em favor de Marcelle.

O que diz a denúncia

Segundo o relato de Marcelle Barbosa à polícia, o episódio teria ocorrido em 15 de agosto, durante uma viagem de van entre São Paulo e o Rio de Janeiro, na presença do filho do ex-casal, uma criança de 1 ano e 8 meses. De acordo com a denúncia, a discussão teria começado depois de um desentendimento sobre a intenção do jogador de ir a um evento social no Complexo do Alemão. Ainda segundo o relato, em uma parada em um posto de gasolina durante a viagem, Marcelle teria descartado uma roupa que Felipe usaria no compromisso, o que teria motivado a escalada do conflito entre os dois.

A denunciante afirma que, a partir desse ponto, o jogador teria ficado agressivo, e que ela precisou se defender com um guarda-chuva, chegando a contar com a intervenção de um funcionário do posto de combustíveis. De acordo com a denúncia, já dentro da van, uma nova discussão teria resultado em um chute na perna de Marcelle e, depois de ela ter desferido um tapa no rosto do jogador, em um soco no nariz dela, que provocou sangramento. É essa sequência de fatos, relatada pela denunciante, que hoje está sob apuração da Polícia Civil — cabe repetir que se trata da versão de uma das partes, ainda sujeita a investigação e ao contraditório.

A resposta do jogador

Por meio de nota, Felipe Teresa afirmou ter plena ciência dos fatos recentemente divulgados e informou que já adota, com o apoio de sua defesa, todas as medidas jurídicas cabíveis para a devida apuração dos acontecimentos e para o resguardo de seus direitos. Sobre a suposta agressão mencionada nas publicações da ex-companheira, o jogador declarou que os fatos serão discutidos, esclarecidos e provados em juízo, com observância do contraditório e da ampla defesa — os dois princípios constitucionais que garantem a qualquer acusado o direito de se manifestar e de contestar as provas apresentadas contra ele antes de qualquer decisão judicial.

A nota do atleta também tratou da criança do ex-casal: Felipe Teresa afirmou jamais ter abandonado o filho, repudiando qualquer afirmação que sugira o contrário. Ele acrescentou que, em razão de a situação envolver um menor de idade, e em respeito à intimidade e ao melhor interesse da criança, não fará qualquer exposição pública adicional sobre as circunstâncias familiares nem apresentará detalhes que possam ampliar, direta ou indiretamente, a exposição do filho.

Marcelle removeu os vídeos originais

Depois da repercussão do caso, Marcelle também se manifestou por meio de nota oficial, informando que, por orientação de sua assessoria jurídica, decidiu remover os vídeos originalmente publicados em suas redes sociais. Esse tipo de recuo é relativamente comum em casos que ganham grande visibilidade antes da conclusão do inquérito, já que advogados costumam recomendar cautela na exposição pública de detalhes que ainda serão avaliados formalmente pela polícia e, depois, pelo Ministério Público.

Como funcionam as medidas protetivas de urgência

As medidas protetivas de urgência solicitadas no caso estão previstas na Lei Maria da Penha, de 2006, e podem incluir, entre outras providências, o afastamento do suposto agressor do lar, a proibição de aproximação física da vítima e de familiares, e a proibição de contato por qualquer meio de comunicação. A concessão dessas medidas por um juiz não representa, por si só, reconhecimento de culpa: trata-se de um mecanismo de proteção preventiva, concedido justamente para reduzir o risco de novos episódios de violência enquanto a investigação segue seu curso regular.

Na verdade ele ficava... [nota do jogador] os fatos serão devidamente discutidos, esclarecidos e provados em juízo, no âmbito próprio e com observância do contraditório e da ampla defesa.

Nota oficial de Felipe Teresa

Para , casos como este colocam à prova a maturidade da cobertura esportiva brasileira diante de temas que extrapolam o campo. "O desafio de qualquer veículo é noticiar com responsabilidade uma denúncia grave, sem transformar acusação em sentença antes da hora, mas também sem tratar o caso com leveza só porque envolve um atleta em início de carreira. As duas partes têm direitos, a criança do casal tem direito à privacidade, e só a investigação policial, seguida do processo judicial, poderá estabelecer os fatos com o rigor necessário", avalia o autor.

  • Denúncia registrada na Deam de Jacarepaguá e encaminhada à 94ª DP (Piraí)
  • Vítima realizou exame de corpo de delito; medidas protetivas foram solicitadas
  • Jogador nega a agressão e promete provar sua versão em juízo
  • Denunciante removeu os vídeos originais das redes por orientação jurídica

O caso de Felipe Teresa segue, por ora, na fase de inquérito policial, etapa em que a Polícia Civil reúne provas, ouve testemunhas e pode solicitar novos exames periciais antes de decidir se indicia o jogador formalmente. Somente depois dessa etapa o Ministério Público avaliará se há elementos suficientes para oferecer denúncia criminal, dando início a um eventual processo judicial em que ambas as partes poderão apresentar suas versões sob o crivo do contraditório.

Fontes e referências

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