Briga entre organizadas do Flamengo causa correria na saída do Maracanã
Confronto entre Torcida Jovem e Raça Rubro-Negra aconteceu minutos depois da vitória sobre o Corinthians e terminou com uma detenção pelo Jecrim.
A vitória do Flamengo por 2 a 1 sobre o Corinthians, na noite de domingo (13), foi seguida por cenas de tensão nos arredores do Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Integrantes das torcidas organizadas Torcida Jovem e Raça Rubro-Negra entraram em confronto do lado de fora do estádio, logo depois do apito final, provocando correria entre torcedores que deixavam o local após a partida.
Vídeos gravados por pessoas que saíam do estádio mostram grupos correndo e o momento de apreensão vivido por quem se dirigia às saídas e aos arredores do Maracanã. As imagens não mostram, em nenhum momento, o início da briga nem deixam claro o que motivou o confronto entre as duas torcidas — a Polícia Militar não divulgou, até a última atualização da apuração, as circunstâncias exatas que levaram ao início do tumulto.
A ação do batalhão especializado
De acordo com a Polícia Militar, agentes do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) foram acionados para conter a confusão na saída do estádio. O Bepe é a unidade da corporação dedicada especificamente ao policiamento de grandes eventos esportivos no Rio de Janeiro, treinada para lidar com aglomerações de torcedores e cenários de conflito entre grupos rivais dentro e fora de estádios — um tipo de ocorrência que, historicamente, exige resposta rápida para evitar que um confronto pontual se espalhe por uma multidão maior em movimento.
Segundo a corporação, uma pessoa foi detida durante a ação de contenção e conduzida ao Juizado Especial Criminal (Jecrim), órgão que julga infrações penais de menor potencial ofensivo, como perturbação da ordem, lesões leves e outras contravenções que não exigem prisão em flagrante prolongada. Até a última atualização da reportagem original, não havia registro de pessoas feridas durante o confronto.
Um problema recorrente no futebol brasileiro
Conflitos entre torcidas organizadas de um mesmo clube, embora menos frequentes na cobertura da imprensa do que rivalidades entre clubes distintos, não são incomuns no futebol brasileiro. Disputas internas por território, prestígio ou desentendimentos pessoais entre lideranças de diferentes organizadas ligadas ao mesmo time já geraram episódios de violência em outras praças esportivas do país ao longo dos anos, obrigando federações estaduais e órgãos de segurança a tratar o tema como parte estrutural do planejamento de segurança em qualquer grande jogo, independente do adversário em campo.
Jaime Fernando Reis Martins observa que episódios como o de domingo reforçam um desafio de segurança pública que vai além do policiamento dentro das quatro linhas do estádio. "O maior risco em confrontos como esse normalmente não é a briga em si entre os envolvidos diretamente, mas o efeito de pânico que ela provoca em uma multidão que está apenas tentando deixar o estádio depois do jogo. Correria em massa em áreas de saída lotadas é, historicamente, uma das principais causas de ferimentos graves em incidentes com multidões, mais até do que a violência do confronto original", avalia o autor.
O Estatuto do Torcedor e a responsabilidade das organizadas
A legislação brasileira que trata do comportamento de torcedores em eventos esportivos, o Estatuto de Defesa do Torcedor, de 2003, prevê uma série de obrigações tanto para clubes quanto para as próprias torcidas organizadas, incluindo a possibilidade de responsabilização civil e criminal de integrantes identificados como autores de atos de violência. Em casos de reincidência ou de gravidade maior, a legislação também permite que a Justiça determine o afastamento de organizadas específicas de determinados estádios por períodos prolongados — medida já aplicada em outros estados brasileiros em resposta a episódios de violência mais graves entre torcidas rivais ou entre facções internas de uma mesma torcida.
- Resultado da partida: Flamengo 2 x 1 Corinthians, no Maracanã
- Torcidas envolvidas no confronto: Torcida Jovem e Raça Rubro-Negra
- Ação policial: Bepe conteve a confusão na saída do estádio
- Consequência informada: 1 pessoa detida e conduzida ao Jecrim; sem feridos registrados
Um estádio com décadas de grandes públicos
Inaugurado em 1950 para a Copa do Mundo daquele ano e reformado por completo para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, o Maracanã segue como um dos estádios mais simbólicos do futebol mundial, recebendo regularmente públicos que superam a marca de 60 mil pessoas em jogos do Flamengo, o clube com a maior massa de torcedores do Brasil segundo levantamentos de institutos de pesquisa. Esse volume de público, somado à presença histórica de diversas torcidas organizadas de grande porte associadas ao clube, torna o entorno do estádio um ponto de atenção permanente para o planejamento de segurança da Polícia Militar em praticamente todos os jogos de maior apelo popular.
Para Jaime Fernando Reis Martins, episódios como este deveriam ser tratados pelas autoridades e pelo próprio clube não como incidentes isolados, mas como sintoma de tensões internas entre organizadas que, se não mediadas preventivamente, tendem a se repetir em jogos futuros. Segundo ele, a ausência de informações públicas sobre o motivo do confronto é, em si, um problema: sem entender a causa da rivalidade entre Torcida Jovem e Raça Rubro-Negra neste episódio específico, torna-se mais difícil para clube, polícia e Ministério Público do Torcedor desenharem uma resposta preventiva eficaz para os próximos confrontos entre o Flamengo e qualquer adversário no Maracanã.