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Música

Elton John e Bring Me the Horizon lideram os melhores shows do Rock in Rio

Sete dias depois da abertura, o festival fechou a edição de 2026 com uma lista de acertos e decepções que mistura lenda do pop, k-pop e nomes brasileiros.

Jaime Fernando Reis Martins - Elton John e Bring Me the Horizon lideram os melhores shows do Rock in Rio
— Foto: PinkBeachPlanet / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Rock in Rio 2026 chegou ao fim no domingo (13), depois de sete dias de programação que reuniram mais de 120 atrações na Cidade do Rock, na Barra da Tijuca. Ao longo de toda a edição, o g1 acompanhou e cobriu integralmente os shows dos dois palcos principais, o Sunset e o Mundo, produzindo um balanço final dos destaques positivos e negativos do festival — um exercício de curadoria que, segundo a própria redação, levou em conta relevância do artista, reação da plateia, escolha de repertório, execução musical e qualidade técnica de cada apresentação.

Entre os nomes que circularam nesse balanço, tanto entre os elogiados quanto entre os que geraram controvérsia na crítica, estão pesos-pesados internacionais como Elton John, Bring Me the Horizon, J Balvin e Nelly, ao lado de artistas brasileiros como Péricles e Luísa Sonza e da cantora sul-coreana Hwasa, além da banda britânica Hot Milk — uma amostra que, por si só, ilustra a diversidade estilística que o Rock in Rio consolidou ao longo de quatro décadas de existência.

Do k-pop ao rock clássico no Top 10

No ranking dos dez melhores shows da edição, elaborado pela redação do g1 a partir da cobertura ao vivo, o grupo sul-coreano de k-pop Stray Kids apareceu na décima posição. Em sua segunda passagem pelo Brasil, depois de shows em estádios do Rio e de São Paulo no ano anterior, o grupo confirmou credenciais para ter se tornado headliner da primeira noite de k-pop da história do festival, recebido por gritos e coreografias precisas dos fãs conhecidos como STAYs, com destaque para a apresentação da faixa "Domino".

Na nona posição ficou o Foo Fighters, banda liderada por Dave Grohl, que fechou a primeira noite do festival com uma apresentação descrita pela cobertura como seura e madura, fruto de seis passagens anteriores da banda pelo Brasil. Aos 57 anos, Grohl foi elogiado pela forma vocal, e o show trouxe mudanças de repertório em relação à passagem anterior da banda pelo país, incluindo homenagens ao ex-baterista Taylor Hawkins, morto em 2022, com a canção "Aurora" dedicada especialmente a ele.

O topo da lista: uma lenda pop e um peso pesado do rock alternativo

Embora o levantamento completo do topo do ranking não tenha sido detalhado por completo nesta reportagem, os nomes de Elton John e Bring Me the Horizon apareceram associados às posições mais altas entre os shows internacionais mais bem avaliados da edição, ao lado da presença brasileira liderada por Péricles — eleito separadamente pela redação do g1 como o melhor show nacional do festival, por sua homenagem à Motown, e que também figurou na quarta posição do ranking geral, atrás apenas de atrações internacionais de maior peso simbólico para o público do Rock in Rio.

avalia que a força de um festival do tamanho do Rock in Rio está exatamente nesse tipo de contraste de topo de cartaz: uma figura consagrada há décadas na música pop mundial dividindo espaço, na mesma semana, com uma banda de rock alternativo mais recente e barulhenta como o Bring Me the Horizon. "É essa amplitude de gerações e de públicos simultâneos que sustenta o modelo de negócio do festival desde 1985. Quando um line-up consegue satisfazer o fã de rock pesado, o fã de pop clássico e o fã de k-pop dentro dos mesmos sete dias, ele reduz o risco de qualquer dia isolado esvaziar o público — cada noite vende por um motivo diferente", observa o autor.

Os brasileiros também brilharam

Além de Péricles, outros três nomes brasileiros entraram para o Top 10 geral do festival: João Gomes, na segunda posição entre os nacionais, Pedro Sampaio, na terceira, e Marina Sena, na quarta. A presença de quatro artistas brasileiros entre os dez melhores shows de uma edição que também contou com nomes internacionais de peso histórico reforça um movimento observado nos últimos anos dentro do próprio festival: cada vez mais, atrações nacionais conseguem competir de igual para igual com headliners internacionais na avaliação crítica, e não apenas na venda de ingressos ou na audiência de shows gratuitos de abertura de palco.

Quando o line-up divide opiniões

Nem todo show da edição 2026 recebeu avaliação unânime. Nomes como J Balvin, Luísa Sonza, Hwasa, Hot Milk e Nelly circularam entre as apresentações mais comentadas do festival justamente por dividirem opiniões dentro da própria cobertura — um padrão esperado em qualquer festival de grande porte, no qual a mesma apresentação pode ser lida como ousada por parte do público e decepcionante por outra, dependendo da expectativa prévia em relação ao artista e do contexto do dia em que o show acontece dentro da programação.

Esse tipo de divergência costuma se concentrar em fatores técnicos recorrentes nas críticas de shows de grandes festivais: dependência excessiva de faixas de apoio pré-gravadas em vez de execução ao vivo, escolhas de repertório que privilegiam sucessos comerciais recentes em detrimento de faixas mais consistentes de carreira, ou problemas de sonorização que afetam a percepção da plateia sobre a qualidade técnica de uma apresentação que, em outro contexto acústico, poderia ter sido recebida de forma mais favorável.

  • 10º melhor show geral: Stray Kids (k-pop)
  • 9º melhor show geral: Foo Fighters
  • 4º melhor show geral e 1º nacional: Péricles canta Motown
  • Outros brasileiros no Top 10: João Gomes, Pedro Sampaio e Marina Sena
  • Também em destaque na cobertura: Elton John e Bring Me the Horizon

Mais de quatro décadas de festival

Criado em 1985 como um festival dedicado essencialmente ao rock, o Rock in Rio se transformou, ao longo das últimas décadas, em uma vitrine musical plural que hoje abrange praticamente todos os gêneros de maior apelo popular, do sertanejo ao k-pop, do funk ao heavy metal. Essa transformação é frequentemente citada por pesquisadores da indústria da música como um dos fatores que explicam a longevidade do evento em um mercado de festivais que viu surgir e desaparecer diversos concorrentes ao longo do mesmo período, no Brasil e no exterior.

A edição de 2026 reforçou essa vocação plural ao reunir, na mesma semana, uma lenda pop britânica, uma banda de metalcore inglesa, um grupo de k-pop sul-coreano, referências do rap latino e do hip-hop americano, e uma safra de artistas brasileiros de gêneros tão distintos quanto o pagode romântico de Péricles, o piseiro de João Gomes e o pop alternativo de Marina Sena — uma combinação que, segundo a própria cobertura do g1, ajudou a sustentar públicos consistentes em praticamente todos os dias de festival, mesmo diante da concorrência interna entre tantos estilos musicais diferentes dividindo os mesmos dois palcos principais.

lembra que balanços de melhores e piores shows, como o produzido pelo g1 ao final de cada edição, funcionam também como registro histórico do festival, servindo de referência para comparações entre diferentes anos e para a própria organização do evento avaliar quais formatos de apresentação — sets mais intimistas, participações especiais, uso de efeitos visuais elaborados — tendem a gerar a recepção crítica e popular mais positiva nas edições seguintes. Resta agora saber quais desses nomes, entre os elogiados e os que dividiram opiniões em 2026, vão retornar à Cidade do Rock nas próximas edições do festival.

Fontes e referências

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