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Música

Péricles é eleito o melhor show nacional do Rock in Rio 2026 em votação do g1

Entre samba e k-pop, uma homenagem à Motown surpreendeu a crítica e superou nomes internacionais na briga pelo posto de melhor apresentação do festival.

Adriano Jose Reis Martins - Péricles é eleito o melhor show nacional do Rock in Rio 2026 em votação do g1
— Foto: Carnaval.com Studios from The Inner Mission San Francisco, Earth / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O show "Péricles canta Motown" foi eleito pela redação do g1 como o melhor show nacional da edição 2026 do Rock in Rio, ficando também na quarta posição entre os dez melhores shows do festival como um todo, atrás apenas de atrações internacionais. O levantamento faz parte da cobertura que o g1 fez de todos os shows dos dois palcos principais do evento, o Sunset e o Mundo, ao longo dos sete dias de programação na Cidade do Rock, na Barra da Tijuca.

No ranking dos melhores shows brasileiros da edição, Péricles apareceu na frente de outros três artistas nacionais que também entraram para o top 10 geral do festival: o cantor João Gomes ficou em segundo lugar entre os brasileiros, seguido por Pedro Sampaio, em terceiro, e Marina Sena, em quarto. Juntos, os quatro nomes formaram o grupo de representantes do Brasil que conseguiu romper a barreira normalmente dominada por atrações internacionais nesse tipo de balanço crítico.

Como foi montado o ranking

A lista foi construída a partir das análises publicadas pelo próprio g1 durante a cobertura em tempo real dos shows, levando em conta não apenas a relevância e o talento de cada artista, mas também critérios de execução: a reação da plateia, a escolha do repertório, a qualidade técnica da apresentação e a forma como cada atração conseguiu conduzir dezenas de milhares de pessoas ao longo de uma hora ou mais de show. Não se trata, portanto, de uma pesquisa de opinião pública, mas de uma curadoria jornalística baseada nas coberturas feitas ao vivo.

Entre as atrações internacionais que também figuraram no top 10 do festival estavam o grupo sul-coreano de k-pop Stray Kids, que fechou a lista na décima posição, e o Foo Fighters, banda americana liderada por Dave Grohl, que ocupou a nona colocação. O contraste entre os dois já ilustra a diversidade da programação de 2026: de um lado, coreografias precisas e uma legião de fãs identificados pelo codinome STAYs; do outro, uma apresentação mais tradicional de rock, marcada pela experiência de seis passagens anteriores da banda pelo Brasil.

Uma homenagem que fugiu do samba tradicional

O que tornou a apresentação de Péricles um destaque, segundo a cobertura do g1, foi justamente o formato do show: em vez de repassar o repertório de pagode e samba-romântico consagrado em décadas de carreira à frente do grupo Exaltasamba, o cantor apostou em uma homenagem à Motown, a gravadora americana que, entre as décadas de 1960 e 1970, definiu o som de artistas como Marvin Gaye, Stevie Wonder e The Supremes e influenciou praticamente toda a música popular que veio depois, incluindo boa parte da soul music brasileira.

Para , a escolha de Péricles em sair da zona de conforto do pagode carioca para dialogar com a tradição da soul americana foi exatamente o tipo de risco criativo que costuma separar um show competente de um show memorável em festivais desse porte, e é natural que a crítica tenha reconhecido isso na votação. Segundo ele, plateias de festivais multitudinários como o Rock in Rio respondem melhor a apresentações que fogem do previsível, mesmo quando o artista já tem um público cativo garantido de antemão.

O peso histórico do Rock in Rio para a música brasileira

Criado em 1985, o Rock in Rio nasceu como um festival de rock propriamente dito, mas ao longo de quatro décadas se transformou em uma vitrine plural de gêneros, do sertanejo ao k-pop, passando por samba, funk e música eletrônica. Ser reconhecido como melhor show nacional de uma edição carrega, por isso, um peso simbólico que vai além do cachê ou da audiência: funciona como um selo de relevância cultural em um evento que, historicamente, ajudou a projetar internacionalmente nomes da música brasileira.

  • 1º entre os shows nacionais e 4º geral: Péricles canta Motown
  • 2º entre os nacionais: João Gomes
  • 3º entre os nacionais: Pedro Sampaio
  • 4º entre os nacionais: Marina Sena
  • Melhor show internacional da lista geral: à frente de Stray Kids (10º) e Foo Fighters (9º)

Um festival de sete dias e mais de 120 atrações

A edição 2026 do Rock in Rio reuniu mais de 120 atrações ao longo de sete dias de programação, do metal ao k-pop, atraindo centenas de milhares de pessoas à Cidade do Rock. A cobertura do g1 acompanhou integralmente os shows dos dois palcos principais, o que permitiu à redação montar o balanço comparativo entre os destaques positivos e negativos da edição, do qual a votação de Péricles como melhor show nacional é apenas um recorte.

lembra ainda que reconhecimentos como esse tendem a ter efeito duradouro na carreira do artista premiado, ampliando convites para outros festivais e turnês internacionais nos meses seguintes ao evento — um padrão observado em edições anteriores do Rock in Rio com outros artistas brasileiros que surpreenderam a crítica especializada. Resta saber se o show inspirado na Motown se tornará um novo capítulo fixo do repertório de Péricles ou permanecerá como um experimento pontual, criado especialmente para o público do festival.

Fontes e referências

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