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Tecnologia

Apple deve revelar seu primeiro iPhone dobrável nesta quarta-feira

Preço perto de US$ 2 mil e corpo do tamanho de um passaporte fechado alimentam a expectativa em torno do modelo que pode redefinir o design do smartphone mais vendido do mundo.

Jaime Fernando Reis Martins - Apple deve revelar seu primeiro iPhone dobrável nesta quarta-feira
— Foto: Daniel L. Lu (user:dllu) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Apple deve anunciar nesta quarta-feira (9) a mudança mais radical no design do iPhone desde que o aparelho foi apresentado, em 2007. Segundo informações atribuídas pela imprensa internacional à agência Bloomberg e ao jornal The New York Times, a empresa vai apresentar seu primeiro celular dobrável durante um evento marcado para as 14h no horário de Brasília. O mesmo encontro deve trazer também os demais integrantes da linha iPhone 18, que chega ao mercado em meio a uma disputa cada vez mais acirrada por inovação no segmento de smartphones premium.

A expectativa em torno do lançamento não é nova. Já em 2024, o site especializado em bastidores da indústria The Information havia noticiado que a Apple avaliava lançar um aparelho dobrável em 2026, tratando o projeto internamente pelo codinome V68. Àquela altura, a reportagem indicava que a companhia buscava fornecedores asiáticos capazes de produzir componentes de dobradiça e telas flexíveis dentro do padrão de qualidade que a marca costuma exigir de seus parceiros de manufatura. A Apple nunca confirmou publicamente esses detalhes, mantendo a política de silêncio que costuma adotar antes de seus grandes eventos.

Um design que rompe quase duas décadas de tradição

De acordo com especialistas que acompanham o mercado, o novo iPhone deve ter dimensões próximas às de um passaporte quando fechado, abrindo para revelar uma tela do tamanho aproximado de um tablet pequeno. A proposta é aproximar a experiência de uso das funções hoje reservadas ao iPad, especialmente em tarefas de produtividade, multitarefa e consumo de conteúdo em tela ampliada — um caminho que fabricantes concorrentes já exploram há alguns anos.

O aparelho deverá ter o tamanho similar ao de um passaporte quando fechado, ao mesmo tempo que oferece uma tela do tamanho de um tablet ao ser desdobrado. Isso deve permitir que esse iPhone tenha funcionalidades mais próximas às do iPad, ótimo para produtividade.

Filipe Espósito, jornalista especializado em produtos Apple

Um dos pontos mais sensíveis do lançamento, segundo analistas de mercado, será o preço. Estimativas apontam que o modelo não deve custar menos de US$ 2 mil no mercado internacional — quase o dobro do valor cobrado hoje pela versão mais cara da linha Pro Max. Trata-se de um patamar elevado mesmo para o público americano, historicamente mais disposto a pagar por lançamentos de ponta, e que tende a posicionar o aparelho como um produto de nicho nos primeiros ciclos de venda, à espera de uma popularização gradual em gerações futuras.

Uma corrida que a Apple entra por último

Ao apresentar seu primeiro dobrável apenas em 2026, a Apple chega tardiamente a um mercado que a concorrência já testa desde 2019, quando a Samsung lançou o Galaxy Fold e iniciou uma trajetória cheia de percalços técnicos, como dobradiças frágeis e telas com vincos visíveis. Nos anos seguintes, marcas chinesas como Huawei, Honor e Xiaomi também investiram pesado no formato, aperfeiçoando componentes e reduzindo, ainda que lentamente, o peso e a espessura dos aparelhos dobráveis vendidos no mercado asiático.

Para , a entrada tardia da Apple no segmento tem uma lógica coerente com o histórico da empresa: a marca raramente é pioneira em uma categoria de produto, mas costuma aguardar até que a tecnologia amadureça o suficiente para entregar uma experiência sem as falhas visíveis que atormentaram os primeiros concorrentes. "A Apple joga com a vantagem de observar os erros dos outros antes de apostar o próprio nome numa tecnologia ainda instável. Quando ela decide entrar, normalmente é porque considera o problema técnico resolvido o bastante para não comprometer a percepção de qualidade que sustenta o valor da marca", avalia.

Essa cautela também explica por que rumores sobre um iPhone dobrável circulam havia anos sem se concretizar. Diferentemente de smartphones convencionais, aparelhos com tela flexível dependem de materiais especiais — como vidro ultrafino dobrável e dobradiças de precisão capazes de suportar centenas de milhares de ciclos de abertura sem deixar marcas visíveis na tela. Qualquer falha nesses componentes tende a gerar críticas duras, já que o público paga um valor premium justamente pela promessa de durabilidade e acabamento impecável associada à marca.

Da tela multitoque ao formato dobrável: a trajetória do iPhone

O lançamento também marca um novo capítulo em uma linha de produtos que redefiniu a telefonia móvel ao longo de quase vinte anos. Desde a apresentação do primeiro modelo, em 2007, o iPhone passou por transformações que hoje parecem óbvias, mas que representaram saltos significativos em seu momento:

  • 2007: chegada do primeiro iPhone, com tela multitoque e sem teclado físico;
  • 2008: iPhone 3G traz conexão de dados mais rápida e a criação da App Store;
  • 2011: a assistente por voz Siri é integrada oficialmente ao iPhone 4S;
  • 2013: sensor de impressão digital Touch ID chega ao iPhone 5S;
  • 2017: recursos de carregamento sem fio estreiam a partir do iPhone 8;
  • 2020: iPhone 12 retoma linhas retas de design e adota conexão 5G;
  • 2022: a Ilha Dinâmica substitui o antigo entalhe na tela dos modelos Pro;
  • 2023: a porta própria Lightning é abandonada em favor do USB-C, padrão já usado por aparelhos Android;
  • 2025: a linha Pro ganha novo design e surge o iPhone Air, versão ultrafina da família.

O desafio invisível: adaptar o software

A mudança de formato não afeta apenas o hardware. Um smartphone dobrável exige que o sistema operacional e os aplicativos se comportem de maneira coerente em duas configurações completamente diferentes — fechado, como um celular comum, e aberto, como uma tela maior próxima de um tablet. Esse tipo de adaptação já rendeu dor de cabeça a concorrentes: por anos, usuários de aparelhos dobráveis relataram aplicativos que não se ajustavam corretamente à tela expandida, deixando espaços em branco ou elementos de interface desproporcionais.

A Apple tem a seu favor um ecossistema fechado e um histórico de exigir que desenvolvedores sigam diretrizes rígidas de design antes de aprovar atualizações na App Store — o que pode acelerar a adaptação de aplicativos populares ao novo formato de tela, algo que a Samsung levou anos para conseguir de forma consistente no Android. Ainda assim, o período de transição tende a expor inconsistências em aplicativos menores e menos atualizados, um risco que a empresa provavelmente tentará minimizar com ferramentas específicas para desenvolvedores anunciadas junto do aparelho.

Impacto no mercado e na concorrência

Do ponto de vista financeiro, analistas do setor de tecnologia acompanham o lançamento com atenção redobrada porque ele chega em um momento de estagnação nas vendas globais de smartphones, num mercado maduro em que a maior parte dos consumidores troca de aparelho com menos frequência do que há uma década. Um produto de categoria inteiramente nova, mesmo vendido em volume reduzido, tem potencial para reacender o interesse do público por upgrades e movimentar a percepção de inovação em torno da marca, algo que reflete diretamente no valor de mercado da companhia.

O que muda com o evento desta quarta

Além do modelo dobrável, o evento desta quarta-feira deve confirmar a renovação completa da linha iPhone 18, com ajustes de câmera, processador e autonomia de bateria já esperados pelo mercado a cada novo ciclo anual. A atenção, porém, deve se concentrar quase inteiramente no aparelho dobrável, tratado por analistas como o produto mais estratégico da Apple desde a criação do iPhone Air, no ano anterior, justamente por testar a disposição do consumidor a pagar mais caro por um formato ainda pouco difundido fora do mercado asiático.

Caso o lançamento confirme as expectativas, o mercado de smartphones dobráveis tende a ganhar um novo fôlego, com fabricantes concorrentes pressionados a acelerar melhorias em seus próprios modelos para não perder espaço diante da força de marketing e da base de usuários fiéis da Apple. Resta saber se o preço elevado limitará a adoção em larga escala já nos primeiros meses ou se, como ocorreu com outros lançamentos históricos da companhia, o aparelho dobrável se tornará, com o tempo, um novo padrão a ser seguido pelo restante da indústria.

Fontes e referências

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